segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Sociedade atual é mais pecadora que anteriores, afirma exorcista

MADRI, 07 Dez. 12 / 10:47 am (ACI/EWTN Noticias).- O Pe. Antonio Fortea, exorcista espanhol e autor de livros como a Summa Daemoniaca, advertiu que estamos vivendo “o crepúsculo da sociedade cristã” e o raiar de uma mais maligna e mais afastada de Deus, pois os homens de hoje são mais pecadores que no passado.

“Os Santos que nos advertiram do pecado na Idade Média, nos séculos posteriores, no século XIX, teriam ficado desolados ante o panorama atual. Sempre houve pecado, mas nem sempre houve a mesma quantidade de pecado”, expressou o sacerdote em declarações ao grupo ACI.

Pe. Fortea assinalou que isto é a consequência de ter deixado Deus de lado e deixar-se convencer “que a vida sob a Igreja nos séculos passados, foram pouco pior que um inferno”.

“A vida nos séculos passados não foi idília, pelo menos não sempre. Mas agora somos iguais aos nossos antepassados, mas sem Deus. Temos as mesmas debilidades, mas agora carecemos da ajuda dos sacramentos, das predicações, da fé. Vemos o resultado disto diariamente”, indicou.

“A Mãe de Jesus mostoru a uns pobres pastorinhos uma visão do inferno, isso aconteceu na Fátima.
A pastorinha mais velha manifestou que só puderam resistir essa visão, porque a Virgem lhes disse que eles não iriam para lá”, recordou.

O Pe. Fortea advertiu que esta visão “não foi para essas crianças bondosas”, mas para o século XX. Entretanto, cem anos depois destas visões “os males se acrescentaram, multiplicaram e intensificaram. Quantas novas perversões germinaram na Cidade dos Homens”.

O exorcista advertiu que “se os homens não mudarem nem sequer ao ver o inferno, compreendendo-o, sendo capazes de espionar o que se sente lá, então não resta mais solução que uma purificação decretada do alto. Não é isto acaso a mensagem da Fátima? Não é isto acaso a mensagem da Palavra de Deus?”.

O Pe. Fortea disse que embora tenha escrito seu livro Summa Demoniaca pensando nos exorcistas, este tem sido lido por religiosos, leigos e fiéis de outras confissões, “provavelmente já (alcançou) mais de cem mil pessoas em todo o planeta”.

“Não estava nos meus planos, mas nos de Deus. Que assim seja. Que os filhos de Deus possam inundar seus intelectos no fogo do ódio a Deus durante sua leitura, para que assim evitem ser lançados lá com sua alma depois da morte. Melhor conhecer esse ódio a Deus só com o intelecto, para que nossa vontade se refugie correndo no amor a Deus”, expressou.


 Fonte: www.acidigital.com

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A Imaculada Conceição

Nosso coração transborda de alegria ao falar de Nossa Senhora, nada do que possamos conceber é suficiente para explicar a grandeza do mistério da Imaculada Conceição, os argumentos não são suficientes, convido os descrentes a se aproximarem desta Mãe, que não nos afasta de Jesus, pelo contrário, ela nos faz ser mais íntimos do seu filho. Totus Tuus! Toda bela sois, Virgem Maria, sem mancha original! 
Segue abaixo texto de Dom Henrique Soares
 
Alegra-te, ó Toda Cumulada Pela Graça
O tempo do Advento tem, sem dúvida alguma, um sabor mariano. É com a Virgem que melhor aprendemos como esperar o Sol que nasce da Aurora, o Cristo, nosso Deus! Por isso, é muito conveniente celebrar a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, a Virgem.
O que a Igreja crê e celebra neste mistério? A Escritura Santa nos ensina que a humanidade fora criada por Deus para a comunhão com Ele, para ser feliz convivendo com Ele, construindo a vida e o mundo. Mas, infelizmente, desde o início da história humana e até hoje, nossa raça foi dizendo “não” ao sonho de Deus. Quisemos e queremos ainda ser como deuses, conhecedores do bem e do mal (cf. Gn 3,4s); queremos viver a vida de modo autônomo, como se a existência fosse nossa e não um dom recebido do Senhor. Se não dizemos, pensamos muitas vezes: "A vida é minha; faço dela o que eu quero! O resultado dessa atitude tem sido trágico: tornamo-nos uma humanidade ferida, esfacelada num mundo também ferido e esfacelado.

Somos todos presa de um enorme fechamento para Deus, uma desconfiança n'Ele, uma tendência a não percebê-Lo. Por isso somos profundamente desequilibrados no nosso modo de nos ver, de ver a vida, de nos relacionar com os outros e com o mundo. Somos um poço de contradições, de paixões, de anseios desencontrados e sentimentos, muitas vezes, destrutivos. Somos, pois, profundamente feridos de morte, feridos até a morte! É esta situação miserável que a Igreja denomina “pecado original”, pecado que já nos marca desde o primeiro momento de nossa existência: “Minha mãe já concebeu-me pecador” (Sl 50,7). É desta situação miserável, sem saída, que Cristo nos arranca com a Sua encarnação, Sua vida, Sua morte e ressurreição com o dom do Seu Espírito: “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus, e são justificados gratuitamente em virtude da redenção realizada por Jesus Cristo” (Rm 3,23s).

Pois bem, a Igreja crê, firmemente, que a toda Santa Virgem Maria, desde o primeiro momento em que foi concebida no seio de sua mãe, foi preservada por Deus desta solidariedade com esta situação de pecado. Nós já nascemos marcados de morte; ela, desta marca de pecado foi preservada; nós, precisamos ser arrancados da lama do pecado graças à cruz do Cristo; ela, pela cruz do Cristo foi liberta desde a origem e, sequer, foi tocada por esta lama maldita; nós fomos redimidos, porque lavados desta lama; ela foi ainda mais perfeitamente redimida. porque, pelos méritos da Paixão do Senhor, sequer experimentou esta situação de pecaminosidade.

Desde o ventre materno, desde o primeiro instante de sua concepção, o Senhor a libertou graças aos méritos de Cristo. Ela, a Virgem, pode ser chamada Toda Santa, isto é, Toda Santificada. Ela pode cantar as palavras da profecia de Isaías: “Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me vestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias!”

A Igreja crê nesta Concepção Imaculada da Mãe de Jesus e com ela se alegra. E crê fundamentada na Escritura Sagrada. A Palavra de Deus não afirma que o Senhor colocou uma inimizade de morte entre a serpente e a Mulher, entre a descendência da serpente e da Mulher? Quem é esta Mulher? Não é aquela a quem Jesus chama Mulher em Caná e ao pé da cruz? Não é aquela de quem São Paulo diz: “Quando chegou a plenitude dos tempos, enviou Deus o Seu Filho nascido de Mulher? Como, pois, poderia estar sob o domínio do pecado, fruto da serpente, a Mulher de quem nasceria o Cordeiro sem mancha, que tira o pecado do mundo?

Estejamos atentos ainda no modo como Gabriel saudou a Virgem no Evangelho: ele lhe muda o nome! Não diz "Alegra-te, Maria!”, mas “Alegra-te, Cheia de Graça!”. Cheia de graça, kecharitomene, do verbo charitô, agraciar. "Alegra-te, ó Toda Cumulada Pela Graça!", "Alegra-te, ó Mar de Graça, ó possuída totalmente pela graça! Em ti, Virgem Maria, não há o mínimo lugar, a mínima brecha para a “des-graça” do pecado!" – É isto que significam as palavras de Gabriel. Podem crer: Deus juntou toda água um dia e chamou de mar; Deus juntou toda graça, outro dia, e a chamou de Maria!

A Virgem não é dona da graça; ela a recebeu totalmente. A Virgem não é imaculada por seus próprios méritos, mas pelos méritos daquele que, nascido de suas entranhas benditas, venceu a antiga serpente e destruiu o antigo inimigo. Observemos que esta ideia aparece na segunda leitura da Missa desta solenidade. O que diz o apóstolo? O Pai “nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. Ele nos predestinou por intermédio de Jesus Cristo (Ef 1,4s).

Se todos somos fruto de um sonho eterno de Deus, se todos somos predestinados em Cristo, desde antes da fundação do mundo; se o Senhor conheceu nossos dias antes mesmo que um só deles existisse, pois bem: em Cristo, Deus, o Pai, preservou a Mãe do Seu Filho do pecado, graças ao Seu Filho! Que nossos irmãos protestantes se alegrem conosco pela Imaculada Conceição de Maria: ela é bíblica, ela exalta enormemente a grandeza abundante da graça de Cristo, único Salvador! São Paulo diz que “todos pecaram e estão privados da glória de Deus”; assim estaria a Virgem sem a graça de Cristo; mas disso foi libertada no primeiro momento de sua existência, graças a Cristo!

Esta é a beleza desta festa: o triunfo da graça, celebrar a graça de Cristo que age antes mesmo do nascimento histórico de Cristo! Que graça tão grande, que Salvador tão potente, que Deus tão previdente! E para nós, que alegria contemplar o mistério, vislumbrá-lo, mergulhar nele! Hoje, a Virgem foi concebida livre do pecado; hoje, começou a raiar a aurora do dia sem fim; surgiu a puríssima Estrela d’Alva que anuncia o Sol, que é o Cristo, nosso Deus!

A Igreja, exultante de alegria, tem palavras lindas na celebração litúrgica no dia da Imaculada. No Ofício Divino, ela assim se dirige à Virgem Toda Santa: “Com a vossa Imaculada Conceição, Virgem Maria, um anúncio de alegria percorreu o mundo inteiro” e, mais adiante, no Ofício, continua, admirada: “Toda bela sois, Virgem Maria, sem mancha original! Sois a glória de Sião, a alegria de Israel e a flor da humanidade”. E, imaginando a resposta da Virgem, coloca nos seus lábios estas palavras que ela dirige ao Senhor: “Foi nisto que eu vi, porque vós me escolhestes! Porque não triunfou sobre mim o inimigo, porque vós me escolhestes!” Isso mesmo: mais que ninguém, a Virgem é devedora a Cristo: Ele a escolheu, a preservou, sustentou-a e teve por ela uma predileção inigualável!

Alegremo-nos nós também! Em Cristo o pecado pode ser vencido! A Conceição Imaculada de Maria é sinal belíssimo desta vitória! Alegremo-nos, porque a Imaculada Conceição de Nossa Senhora é o feliz princípio e o primeiro albor da salvação que o Senhor Jesus nos traz! Bendita seja a cruz de Jesus, que antes de ser fincada no Calvário, já libertou com seus raios a Virgem de todo pecado! A Jesus, fruto bendito, do bendito ventre da bendita Virgem Maria, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

 Dom Henrique Soares da Costa
http://www.domhenrique.com.br

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

COMO SERÁ O NOSSO JULGAMENTO?

Revelações de Deus Pai à Santa Catarina de Sena
 

No Juízo Particular, no instante final, quando a pessoa compreende que não pode fugir das Minhas Mãos recupera a visão que a atormenta interiormente fazendo-a ver que por própria culpa chegou a tão triste situação.

Se o pecador se deixar iluminar e se arrepender, não por medo dos castigos infernais, mas por ter ofendido a Suma e Eterna Bondade, AINDA SERÁ PERDOADO. Mas, se ultrapassar o momento da morte nas trevas, no remorso, sem esperança no Sangue, ou então, lamentando-se apenas pela infelicidade em que se acha - e não por ter Me ofendido - irá para a perdição. Sobrevirá, pois, a repreensão pela injustiça e falso julgamento.

Em primeiro lugar a repreensão da injustiça e do julgamento falso em geral, praticados no conjunto de suas ações, durante a vida; depois, em particular, do último instante quando o pecador considera seu pecado maior que a Minha misericórdia. Este é o pecado que não será perdoado, nem aqui nem no além. O desprezo voluntário da Minha misericórdia constitui pecado mais grave que todos os anteriores Filha, tua linguagem é incapaz de descrever os sofrimentos desses infelizes condenados.

Sendo três os seus vícios principais - egoísmo, medo de perder a boa fama e orgulho - aos quais se acrescentam a injustiça, a maldade e impureza, no inferno os pecadores padecem de quatro tormentos principais. O primeiro é a ausência da Minha visão. Um sofrimento tão grande que os condenados, se fosse possível, prefeririam sofrer o fogo vendo-Me, que ficar de fora dele sem Me ver.

O segundo, como conseqüência, é o remorso que corrói o pecador privado de Mim, longe da conversação dos anjos, a conviver com os demônios. Aliás, a visão do diabo constitui o terceiro tormento. Ao vê-lo duplica-se o sofrer. Nestes (demônios), eles se conhecem melhor, entendendo que por própria culpa mereceram o castigo. Assim, o remorso os martiriza e jamais cessará o ardor da consciência. Muito grande é este tormento, porque o diabo é visto no próprio ser; tão horrível é a sua fealdade, que a mente humana não consegue imaginar. Se ainda o recordas, já te mostrei o demônio assim como ele é; foi por um átimo de tempo. Quando retornastes ao sentido, preferias caminhar por uma estrada de fogo até o juízo final que tornar a vê-lo. No entanto, apesar do que viste ignoras a sua fealdade, especialmente porque, segundo a justiça divina, ele é visto mais ou menos horrível pelos condenados, segundo a gravidade das culpas.

O quarto é o fogo. Um fogo que arde sem consumir, sem destruir o ser humano. É algo de imaterial, que não destrói a alma incorpórea. Na Minha justiça permito que tal fogo queime, faça padecer, aflija; mas não destrua. É ardente e fere de modo crudelíssimo em muitas maneiras, conforme a diversidade das culpas. A uns mais, a outros menos, segundo a gravidade dos pecados. Destes quatro tormentos derivam os demais: o frio, o calor, o ranger de dentes (Mt, 22,13) Grande é o ódio dos condenados, pois já não amam o bem. Blasfemam continuamente contra Mim!

Queres saber por que já não podem desejar o bem? É porque, no fim desta vida, vincula-se o livre arbítrio. Com o cessar do tempo, já não se merece mais. Quem termina esta existência em pecado mortal, por direito divino fica para sempre apegado ao ódio, obstinado no mal, a roer-se interiormente.

Seus sofrimentos irão aumentando sempre, especialmente por causa das demais pessoas que por sua causa irão para a condenação. O homem justo (no mesmo Juízo) ao encerrar sua vida terrena no amor, já não poderá progredir na virtude. Para sempre continuará a amar no grau de caridade que atingiu até Mim.

Também será julgado na proporção do amor. Continuamente Me deseja, continuamente Me possuí; suas aspirações não caem no vazio. Ao desejar, será saciado; ao saciar-se, sentirá ainda fome; distanciando-se assim, do fastio da saciedade e do sofrimento da fome. Os bem-aventurados gozam da Minha eterna visão.

Cada um no seu grau, de acordo com a caridade em que vieram participar de tudo o que possuo. Desfrutam na alegria e gozo - dos bens pessoais e comuns que mereceram. Colocados entre os anjos e santos com eles se rejubilam na proporção do bem praticado na terra.

Entre si congraçados na caridade os bem-aventurados de modo especial comunicam-se com aqueles que amaram no mundo. Não penses que a felicidade celeste seja apenas individual. Não! Ela é participada por todos os cidadãos da pátria, homens e anjos.

Quando chega alguém à vida eterna, todos sentem sua felicidade da mesma forma como ele participa do prazer de todos. Em seus anseios os eleitos clamam continuamente diante de Mim em favor do mundo inteiro. Suas vidas haviam terminado no amor fraterno; continuam no mesmo amor.

Aliás, foi exatamente por tal caridade que passaram pela porta que é Meu Filho Por ocasião do Juízo Final, o Verbo encarnado virá com divina majestade para repreender o mundo. Não mais se apresentará pobrezinho na forma como nasceu da Virgem, na estrebaria, entre animais, para morrer depois no meio de ladrões. Naquela ocasião, ocultei n'Ele o Meu poder e permiti que suportasse penas e dores como homem. A natureza divina se unira a humana e foi enquanto homem que sofreu para reparar as vossas culpas.

No juízo final, não será assim, pois virá com poder a fim de julgar. As criaturas humanas estremecerão e Ele a cada um dará sentença conforme merecimento.Tua língua não conseguirá exprimir o que se sucederá aos condenados. Para os bons, Jesus será motivo de temor santo e alegria imensa. Os bem-aventurados continuam no céu, eternamente, aquele mesmo amor com que encerraram a vida terrena. Eles em nada se distanciam de Mim. Seus desejos estão saciados. Anseiam em ver-Me glorificado por vós viandantes e peregrinos que sois em direção à morte. Aspirando por Minha honra, querem vossa salvação e sempre rogam por vós. De Minha parte, escuto os seus pedidos naquilo em que vós, por maldade, não opondes resistência à Minha bondade. Os bem-aventurados desejam recuperar os seus corpos; todavia não sofrem por sua ausência. Até se alegram, na certeza de que tal aspiração será realizada. A ausência do corpo não lhes diminui o prazer, não é angustiante, não faz sofrer. Nem julgues que a satisfação de ter o corpo após a ressurreição lhes traga maior bem-aventurança. Se isso fosse verdade, seria sinal que a felicidade anterior era imperfeita, enquanto não o reouvessem, e isso não pode ser. De fato, nenhuma perfeição lhes falta. Não é o corpo que faz feliz a alma, mas o contrário.

Quando esta recupera o corpo no dia do juízo, participará ele da plenitude e da perfeição da alma. Naquele dia, esta se fixará para sempre em Mim, e o corpo em tal união, ficará imortal, sutil, leve.Deves saber que o corpo ressuscitado pode atravessar uma parede, que o fogo e a água não o ofendem. Tal propriedade lhe advém, não de uma virtude própria, mas por uma força que gratuitamente concedo à alma, que foi criada à Minha imagem e semelhança num inefável ato de amor. Tua inteligência não dispõe da capacidade necessária para entender, nem teus ouvidos para escutar, a língua para narrar e o coração para sentir qual é a felicidade dos santos.

Ocupei-Me da felicidade dos santos para que entendesses melhor a infelicidade dos condenados ao inferno. Aliás, outro tormento destes últimos, é ver quanto os bem-aventurados são felizes. Tal conhecimento acresce-lhes a pena, da mesma forma como a condenação dos maus leva os justos a glorificar Minha bondade. A luz é mais evidente na escuridão, e a escuridão na luz. Conhecer a alegria dos santos é dor para os réus do inferno. Os condenados aguardam com temor o dia do juízo final. Sabem que então seus sofrimentos aumentarão. Ao escutar o terrível convite: "mortui, venite ad judicium", a alma retornará ao corpo. Para os bem-aventurados será um corpo de glória; para os réus um corpo para sempre obscurecido. Diante do Meu Filho, sentirão grande vergonha. Também diante dos santos. O remorso martirizará a profundidade do seu ser, quero dizer, a alma; mas também o corpo. Acusá-los-ão: o Sangue de Cristo, por eles derramado; as obras de misericórdia, espirituais e corporais, do Meu Filho, o bem que eles mesmos deveriam ter praticado em benefício dos outros, segundo o Evangelho. Terá seu castigo a maldade com que trataram os irmãos, pois Eu mesmo, compassivo, perdoara-lhes (Mt 18,33). Serão repreendidos pelo orgulho, egoísmo, impureza, ganância; e tudo isso reavivará seus padecimentos.

No instante da morte, somente a alma é repreendida; no juízo final também o corpo, por ter sido instrumento da alma na prática do bem e do mal conforme a orientação da vontade. Todo bem e todo mal é feito através do corpo por este motivo, Minha filha, os justos terão no corpo glorificado uma luz e um amor infinitos; já os réus do inferno sofrerão pena eterna em seus corpos, usados para o pecado. Ao recuperar o corpo diante de Jesus ressuscitado, os réus sentirão tormento renovado e acrescido: a sensualidade sofrerá na sua impureza, vendo a natureza humana unida à divindade, contemplando este barro adâmico - vossa natureza – colocada acima de todos os coros angélicos, enquanto eles, os maus, estarão no mais profundo abismo. Os condenados verão brilhar sobre os eleitos a liberalidade e a misericórdia, quais frutos do Sangue de Cristo; saberão das dificuldades suportadas pelos bons e que agora se mostram em seus corpos como frisos de adornos para as vestes. O valor de tais sofrimentos físicos não provém do corpo, mas da riqueza da alma; é ela que dá o corpo o merecimento da luta como companheira da prática das virtudes.

Tal exteriorização se verifica porque o corpo manifesta o resultado das batalhas das alma, como o espelho reflete a face do homem. Ao se verem privados de tamanha beleza, os habitantes das trevas verão surgir nos próprios corpos os sinais dos pecados e terão maiores tormentos e confusão.

E ao soar aquela terrível sentença: "Ide, malditos, para o fogo eterno", suas almas e corpos encaminhar-se-ão para a companhia de demônios, sem mais remédios nem esperança.

Cada um a seu modo, se envolverá na podridão que viveu na terra, de acordo com as ações que praticou: o avarento arderá na sua ganância dos bens que desordenadamente amou; o maldoso, na sua ruindade; o impuro na imunda e infeliz concupiscência; o injusto nas suas iniqüidades; o rancoroso no seu ódio pelos outros. Quanto ao egoísmo fonte de todos os males arderá como princípio causador de tudo em sofrimentos insuportáveis.

O orgulho terá igual sorte. Assim, corpo e alma serão punidos em todos os vícios. Sirvo-Me do demônio qual instrumento da Minha justiça para atormentar os que Me ofendem.

Nesta vida o coloquei qual tentador, molestando os homens. Não para que estes sejam vencidos, mas para que conquistem a vitória e o prêmio pela comprovação das virtudes. Ninguém deve temer as possíveis lutas e tentações do demônio. Fortaleci os homens, dei-lhes energia para vencer, no Sangue de Cristo. Demônio ou criatura alguma conseguem dobrar a vontade. Ela vos pertence, é livre.

Vós é que escolheis o querer ou não querer alguma coisa. Eu disse que o demônio convida os homens para a água-morta, a única que lhe pertence, cegando-os com prazeres e satisfações do mundo. Usa o anzol do prazer e fisga-os mediante a aparência de bem. Sabe ele que por outros caminhos nada conseguiria; sem o vislumbre de um bem ou satisfação, os homens não se deixam aprisionar; por sua própria natureza, a alma humana tende ao bem. Infelizmente, devido à cegueira do egoísmo, o homem não consegue discernir qual é o bem verdadeiro, realmente útil ao corpo e à alma.

Percebendo isto, o demônio, maldoso, apresenta-lhe numerosos atrativos maus, disfarçados, porém sob alguma utilidade ou prazer. A certeza da Minha presença em suas vidas é o conhecimento da Minha verdade. Tal conhecimento se realiza na inteligência que é, o olho da alma; pupila de tal olho é a fé.

Pela iluminação da fé, eles distinguem, conhecem e seguem a estrada mensagem do Verbo Encarnado. Sem a fé ninguém reconhece tal estrada, à semelhança daquele que possuísse o olho, mas coberto por um pano. Sim, a pupila desse olhar é a fé; nada verá quem cobrir sua inteligência com o pano da infelicidade, por causa do egoísmo. Tal pessoa terá a inteligência, mas não a luz para conhecer.

Como afirmei antes, ninguém consegue seguir o caminho da verdade sem a luz da razão - recebida de Mim com a inteligência - e sem a luz da fé, infundida na hora do santo batismo, supondo que não destruais esta última com vossos pecados.

Fonte: www.derradeirasgracas.com/Revelações de Deus Pai à Santa Catarina de Sena.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Como falar de Deus no mundo hoje.

Coloco abaixo a bela catequese de nosso querido Papa Bento XVI, é um texto riquíssimo nos recordando que para falar de Deus não precisa muita coisa, basta conhece-Lo, mergulhar no seu amor e deixar transbordar esse amor para aqueles que nos cercam.

Catequese do Papa - Como falar de Deus no mundo hoje - 28/11/2012
Quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Caros irmãos e irmãs,

A pergunta central que hoje nos fazemos é a seguinte: como falar de Deus no nosso tempo? Como comunicar o Evangelho, para abrir estradas na sua verdade salvífica nos corações sempre fechado dos nossos contemporâneos e na mente deles tantas vezes distraídas por tantos estímulos da sociedade? O próprio Jesus, dizem-nos os Evangelistas, no anunciar do Reino de Deus se perguntou sobre isto: “A que podemos comparar o reino de Deus e com que parábola podemos descrevê-lo?” (Mc 4,30). Como falar de Deus hoje? A primeira resposta é que nós podemos falar de Deus, porque Ele falou conosco. A primeira condição para falar de Deus é também a escuta de quanto disse o próprio Deus. Deus falou conosco! Deus não é uma hipótese distante sobre a origem do mundo; não é uma inteligência matemática muito distante de nós. Deus se interessa por nós, nos ama, entrou pessoalmente na realidade da nossa história, se auto-comunicou até encarnar-se. Então, Deus é uma realidade da nossa vida, é tão grande que tem também tempo para nós, ocupa-se de nós. Em Jesus de Nazaré nós encontramos a face de Deus, que desceu do seu Céu para imergir-se no mundo dos homens, no nosso mundo, e ensinar a “arte de viver”, o caminho da felicidade; para libertar-nos do pecado e tornar-nos filhos de Deus (cfr Ef 1,5; Rm 8,14). Jesus veio para salvar-nos e mostrar-nos a vida boa do Evangelho.

Falar de Deus quer dizer antes de tudo ter bem claro isso que devemos levar aos homens e às mulheres do nosso tempo: não um Deus abstrato, uma hipótese, mas um Deus concreto, um Deus que existe, que entrou na história e está presente na história; o Deus de Jesus Cristo como resposta à pergunta fundamental do porquê e do como viver. Por isto, falar de Deus requer uma familiaridade com Jesus e o seu Evangelho, pressupõe uma nossa pessoal e real consciência de Deus e uma forte paixão pelo seu projeto de salvação, sem ceder à tentação do sucesso, mas seguindo o método do próprio Deus. O método de Deus é aquele da humildade – Deus se faz um de nós – é o método realizado na Encarnação na simples casa de Nazaré e na gruta de Belém, aquela da parábola do grão de mostarda. Não devemos temer a humildade dos pequenos passos e confiar no fermento que penetra na massa e lentamente a faz crescer (cfr Mt 13,33). No falar de Deus, na obra de evangelização, sob a orientação do Espírito Santo, é necessária uma recuperação da simplicidade, um retornar ao essencial do anúncio: a Boa Notícia de um Deus que é real e concreto, um Deus que se interessa por nós, um Deus-Amor que se faz próximo de nós em Jesus Cristo até a Cruz e que na Ressurreição nos doa a esperança e nos abre a uma vida que não tem fim, a vida eterna, a vida verdadeira. Aquele excepcional comunicador que foi o apóstolo Paulo nos oferece uma lição que vai direto ao centro da fé do problema “como falar de Deus” com grande simplicidade. Na Primeira Carta aos Coríntios escreve: “Quando cheguei no meio de vós, não me apresentei para anunciar o mistério de Deus com excelência da palavra ou de sabedoria. Decidi, na verdade, não dever saber coisa alguma no meio de vós senão Jesus Cristo, e Cristo crucificado” (2,1-2). Então a primeira realidade é que Paulo não fala de uma filosofia que ele desenvolveu, não fala de ideais que encontrou em qualquer lugar ou inventou, mas fala de uma realidade da sua vida, fala do Deus que entrou na sua vida, fala de um Deus real que vive, falou com ele e falará conosco, fala de Cristo crucificado e ressuscitado. A segunda realidade é que Paulo não busca a si mesmo, não quer criar um time de admiradores, não quer entrar na história como chefe de uma escola de grande conhecimento, não busca a si próprio, mas São Paulo anuncia Cristo e quer ganhar as pessoas para o Deus verdadeiro e real. Paulo fala somente com o desejo de querer pregar aquilo que entrou na sua vida e que é a verdadeira vida, que o conquistou no caminho para Damasco. Então, falar de Deus quer dizer dar espaço Àquele que se faz conhecer, que nos revela a sua face de amor, quer dizer expropriar o próprio eu oferecendo-o a Cristo, na consciência de que não somos nós a poder ganhar os outros para Deus, mas devemos conhecê-los pelo próprio Deus, para invocá-lo. O falar de Deus nasce também da escuta, do nosso conhecimento de Deus que se realiza na familiaridade com Ele, na vida da oração e segundo os Mandamentos.

Comunicar a fé, para São Paulo, não significa trazer a si mesmo, mas dizer abertamente e publicamente aquilo que viu e sentiu no encontro com Cristo, quanto experimentou na sua existência ora transformada pelo encontro: é trazer aquele Jesus que sente presente em si mesmo e tornou-se o verdadeiro sentido da sua vida, para fazer entender a todos que Ele é necessário para o mundo e é decisivo para a liberdade de cada homem. O Apóstolo não se contenta de proclamar as palavras, mas envolve toda a própria existência na grande obra da fé. Para falar de Deus, é preciso dar-lhe espaço, na confiança de que é Ele que age na nossa fraqueza: dar-lhe espaço sem medo, com simplicidade e alegria, na convicção profunda de que quanto mais colocamos no centro Ele e não nós, mais a nossa comunicação será frutífera. E isto vale também para a comunidade cristã: esses são chamados a mostrar a ação transformadora da graça de Deus, superando individualismos, fechamento, egoísmos, indiferença e vivendo na relação cotidiana o amor de Deus. Perguntemo-nos se são realmente assim as nossas comunidades. Devemos colocar-nos de modo a tornar-nos sempre e realmente assim, anunciadores de Cristo e não de nós mesmos.

Neste ponto, devemos perguntar-nos como comunicava o próprio Jesus. Jesus na sua singularidade fala de seu Pai – Abbá – e do Reino de Deus, com o olhar repleto de compaixão pelos inconvenientes e dificuldades da existência humana. Fala com grande realismo e, direi, o essencial do anúncio de Jesus é que torna transparente o mundo e a nossa vida vale para Deus. Jesus mostra que no mundo e na criação aparece a face de Deus e nos mostra como nas histórias cotidianas da nossa vida Deus está presente. Seja nas parábolas da natureza, o grão de mostarda, o campo com diversas sementes, ou na nossa vida, pensamos na parábola do filho pródigo, de Lázaro e em outras parábolas de Jesus. Dos Evangelhos vemos como Jesus se interessa por cada situação humana que encontra, se emerge na realidade dos homens e das mulheres do seu tempo, com uma confiança plena na ajuda do Pai. E que realmente nesta história, secretamente, Deus está presente e se estamos atentos podemos encontrá-Lo. E os discípulos, que vivem com Jesus, as multidões que O encontram, veem a sua reação aos problemas mais absurdos, veem como fala, como se comporta; veem Nele a ação do Espírito Santo, a ação de Deus. Nele anúncio e vida se entrelaçam: Jesus age e ensina, partindo sempre de um íntimo relacionamento com Deus Pai. Este estilo torna-se um indício essencial para nós cristãos: o nosso modo de viver na fé e na caridade torna-se um falar com de Deus no hoje, porque mostra com uma existência vivida em Cristo a credibilidade, o realismo, daquilo que dizemos com as palavras, que não são somente palavras, mas mostram a realidade, a verdadeira realidade. E nisso devemos estar atentos para entender os sinais dos tempos na nossa época, isto é, para identificar os potenciais, os desejos, os obstáculos que se encontram na cultura atual, em particular o desejo de autenticidade, o anseio de transcendência, a sensibilidade para a salvaguarda da criação, e comunicar sem temor a resposta que oferece a fé em Deus. O Ano da Fé é ocasião para descobrir, com a fantasia animada pelo Espírito Santo, novos caminhos em nível pessoal e comunitário, a fim de que em cada lugar a força do Evangelho seja sabedoria de vida e orientação da existência.

Também no nosso tempo, um lugar privilegiado para falar de Deus é a família, a primeira escola para comunicar a fé às novas gerações. O Concílio Vaticano II fala dos pais como os primeiros mensageiros de Deus (cfr Cost. dogm. Lumen gentium, 11; Decr. Apostolicam actuositatem, 11), chamados a redescobrir esta sua missão, assumindo a responsabilidade no educar, no abrir a consciência dos pequenos ao amor de Deus como um serviço fundamental às suas vidas, no ser os primeiros catequistas e mestres da fé para seus filhos. E nesta tarefa é importante antes de tudo a vigilância, que significa saber entender as ocasiões favoráveis para introduzir na família o discurso de fé e para fazer amadurecer uma reflexão crítica a respeito dos numerosos condicionamentos aos quais são submetidos os filhos. Esta atenção dos pais é também sensibilidade em reconhecer as possíveis questões religiosas nas mentes dos filhos, às vezes evidentes, às vezes secretas. Depois, a alegria: a comunicação da fé deve sempre ter uma totalidade de alegria. É a alegria pascal, que não omite ou esconde a realidade da dor, do sofrimento, do cansaço, da dificuldade, da incompreensão e da própria morte, mas sabe oferecer os critérios para interpretar tudo na perspectiva da esperança cristã. A vida boa do Evangelho é mesmo este olhar novo, esta capacidade de ver com os próprios olhos de Deus cada situação. É importante ajudar todos os membros da família a compreender que a fé não é um peso, mas uma fonte de alegria profunda, é perceber a ação de Deus, reconhecer a presença do bem, que não faz barulho; e oferece orientações preciosas para viver bem a própria existência. Enfim, a capacidade de escuta e de diálogo: a família deve ser um ambiente onde se aprende a estar junto, a conciliar os conflitos no diálogo recíproco, que é feito de escuta e de palavra, a compreender-se e a amar-se, para ser um sinal, um para o outro, do amor misericordioso de Deus.

Falar de Deus, então, quer dizer fazer compreender com a palavra e com a vida que Deus não é o concorrente da nossa existência, mas sim é o seu verdadeiro assegurador, a garantia da grandeza da pessoa humana. Assim, retornamos ao início: falar de Deus é comunicar, com força e simplicidade, com a palavra e com a vida, isso que é essencial: o Deus de Jesus Cristo, aquele Deus que nos mostrou um amor tão grande a ponto de encarnar-se, morrer e ressurgir para nós; aquele Deus que pede para segui-Lo e deixar-se transformar pelo seu imenso amor para renovar a nossa vida e as nossas relações; aquele Deus que nos doou a Igreja, para caminhar juntos e, através da Palavra e dos Sacramentos, renovar a inteira Cidade dos homens, a fim de que possa tornar-se Cidade de Deus.

A televisão me deixou burro, burro demais.


Segue abaixo importante artigo sobre a influência da televisão nas nossas vidas e o quanto ela prejudica a nossa maneira de ver as coisas que nos cercam. Vale a pena ler até o fim!
A televisão me deixou burro, burro demais

*por Carlos Ramalhete

Um amigo meu, ao ler uma reportagem que afirmava que na Itália, segundo recente pesquisa, uma criança em cada três trocaria seu pai ou sua mãe por um apresentador de TV, comentou que acabou tirando a TV de casa, para evitar sua má influência.

Dei-lhe meus parabéns; afinal, eu também não tenho um palquinho para o capeta falar absurdos na minha sala.

Outro dia eu estava na casa de uma amiga, e comentei isso com ela. Ela, com a TV ligada permanentemente, disse que não era bem assim, que era só trocar de canal...

Por acaso (ou mais exatamente pela Providência, já que não há coincidência...), neste exato momento olhei para a tela da sua TV e havia um grupo de rapazes estuprando uma moça. Disse eu então: "Olha só, eles estão estuprando a moça dentro da sala da senhora. O que a senhora vai fazer a respeito?"...

A televisão é um problema em si; afinal a sua forma de atuar impede, ou pelo menos dificulta extremamente, o raciocínio. É muito difícil pensar e ver TV ao mesmo tempo.

Com isso, a pessoa que vê TV está um pouco com em uma daquelas câmaras de privação sensorial que agora voltaram à moda. A diferença é que na câmara de privação sensorial a pessoa não tem nenhum estímulo externo, o que faz com que ela passe a ter alucinações, enquanto na TV o nosso juízo consciente do que é exibido é suspenso e a informação entra e fica gravada em nosso subconsciente, sem que tenha sido julgada.

O resultado daí vemos todos os dias: coisas que nunca seriam aceitas normalmente agora o são, apenas por terem sido vistas um grande número de vezes na TV.

Um exemplo disso é a obscenidade da dança da garrafa. Se há alguns anos um candidato a cargo eleitoral exibisse meninas de cinco anos de idade seminuas rebolando para introduzir uma garrafa em suas partes pudendas, ele seria linchado em praça pública.

Mas exatamente isso aconteceu em minha cidade, e o sujeito foi eleito. Qual a razão? Uma súbita queda no padrão moral?

Não. As pessoas, ao ver aquele absurdo, reconheciam aquilo que havia sido visto muitas vezes na telinha, e seu cérebro não registrava nenhum sinal de alarme. Ao ver a barbárie cometida, eles simplesmente pensavam "Ah, já vi isso no Faustão".

A TV é simplesmente uma máquina de hipnotizar! No livro "Admirável Mundo Novo" (quem não leu, leia!), o autor descreveu um sistema pelo qual as crianças e adultos eram constantemente hipnotizados; eles ouviam incessantemente gravações com frases-feitas, que acabavam se marcando em seu espírito ao serem ouvidas durante o sono.

Mas isso traz um problema: como mudar as frases? Se a pessoa ouve sempre aquela frase, como fazer para que creia que aquela não é mais válida e deve ser substituída por outra? Afinal, a transitoriedade é própria da mentira, e tal necessidade é constante.

A solução não foi inventada em um romance, ela está presente: a TV hipnotiza as pessoas de um modo que permite (na verdade até incentiva) a mudança da mensagem.

Poderíamos então perguntar: será que não seria melhor fazer uma TV que apresentasse uma mensagem positiva?

A resposta é um claro "não". Pelas próprias limitações do meio (som de pouca amplitude, imagem de baixa resolução, falta de concentração do espectador, etc.), é praticamente impossível tratar de amor ou ternura na TV. Por outro lado, a ira e o ódio são facilmente expressos, bem como a vaidade, o orgulho, a luxúria, a preguiça, a cobiça...

Vejamos as razões disso:

1 - A própria natureza do meio (TV), requer uma simplificação do discurso, que passa a ser construído sobre o visual (mais exatamente sobre o sensório, já que o som também influi) e não mais sobre o lógico. Com isso há uma "in-formação", no sentido latino da palavra: a TV dá forma àquilo que transmite e ao receptor. É por isso que as pessoas raramente pensam "vou assistir a tal e tal coisa", mas sim "vou assistir TV". O meio é a mensagem.

2 - Como qualquer fenômeno hipnótico, a sua repetição constante favorece o seu efeito. Assim, ver um documentário uma vez por semana ou mês não o deixará tão hipnotizado quanto deixar a TV ligada o tempo todo.

É por isso que aqueles que não assistem TV cotidianamente têm normalmente uma reação muito diferente da que têm os que a assistem cotidianamente à presença de uma TV ligada. Em uma sala de espera ou restaurante, por exemplo, a TV passa "despercebida" (conscientemente) pela maior parte dos presentes, que por serem viciados desligam imediatamente o seu juízo crítico ao ouvir o característico som da TV.

Aqueles que não são viciados, contudo, se sentem frequentemente incomodados pela presença da TV. Ela chama mais a sua atenção, pois o seu juízo crítico não foi desligado.

Para que a TV seja suportável, é necessário que a cada vez que o nosso cérebro esteja "acostumado" ao que se está passando, aconteça algo que dê ao cérebro a impressão de que algo mudou; se isso não acontecesse, entraria em ação o nosso senso crítico, e desligaríamos a TV.

Isto é feito através dos chamados "eventos técnicos", como as alterações de câmera, zoom, mudanças de volume, etc. É por isso que os vídeos caseiros são insuportáveis: não há nenhum tipo de interrupção, o que faz com que o cérebro não receba esta "tapeação", e passe a ponderar as coisas exibidas.

Exatamente o contrário ocorre na publicidade. É só ver a diferença de tempo entre um acontecimento técnico na publicidade (pode ser até mais de uma vez por segundo!) e em um filme ou noticiário. Mesmo no noticiário sempre acaba sendo necessário usar zoom, troca de locutor, etc.

Ou seja: mesmo que a programação da TV seja boa (EWTN, Rede Vida, etc.), nunca devemos deixar a TV ligada ou assistir todos os dias; isso nos torna mais vulneráveis à sua ação, e a TV na sala de espera do dentista vai ser capaz de entrar na cabeça da gente sem pedir licença.

3 - A programação da TV, a não ser que haja um controle muito forte (o que hoje em dia é anátema), só tende a piorar e tornar-se mais e mais escandalosa e abusiva. É da natureza do meio.

A TV francesa era uma TV de alto nível; quando foi privatizada, começou a sua decadência, já que apenas o IFOP - ibope de lá - passou a ditar o que deve ser exibido. Hoje não há mais os programas de literatura que havia, mas em compensação está cheio de apresentadores de auditório e sexo explícito. Foi só deixar o controle nas mãos do mercado, que dançou tudo.

Se a TV tivesse, entretanto um controle forte para evitar este tipo de coisa, como ocorria na França antes da privatização das emissoras, talvez ela não tivesse efeitos imediatos tão maléficos. Infelizmente isso só aconteceria se o Estado fizesse uma censura forte e eficaz, o que dificilmente seria feito hoje, quando a contestação é considerada uma virtude.

Como a própria natureza do meio televisivo impede que seja feito um juízo crítico daquilo que é assistido, a única maneira de fazer com que os viciados continuem a se interessar (e o ibope aumente) é apresentar os incentivos ao pecado, desculpem, as "atrações", de maneira cada vez mais crua e selvagem. Só assim as consciências embotadas e anestesiadas pela TV podem prestar alguma atenção. E dá-lhe de ver gente comendo sushi sobre mulheres nuas (o que se for repetido o suficiente acabará por ser considerado uma modalidade aceitável da gastronomia...), concursos de maior ou mais belo traseiro, crianças órfãs e aleijadas sendo espezinhadas, humilhações de pessoas comuns, etc.

Para que a pessoa tenha capacidade de resistir ao hipnotismo televisivo, ela deve ter desenvolvido o seu raciocínio lógico (linear...) e seu senso crítico. Ora, isso só pode ser feito sem TV, pois a sua hipnose é mais forte que a lógica da maior parte das pessoas, vitimada exatamente pelo pensamento cubista que a TV infunde. - A visão cubista da realidade é uma noção desenvolvida pelo teórico da comunicação Marshall McLuhan; segundo ele, a televisão, por não apresentar de maneira sequencial o acontecimento, transmitindo apenas partes fragmentadas e desconexas dele, proporciona uma visão da realidade que ele chama de cubista, em analogia à arte cubista, em que o nariz é visto de lado, a boca de frente, a orelha de cima...

Os efeitos deste vício - posto que a TV vicia, e muito! - são extremamente perniciosos. Ela é, como a cachaça, uma forma de não pensar. A diferença é que a droga chamada TV não apenas embota o raciocínio como as outras, mas também insere diretamente ao subconsciente mensagens totalmente contrárias à própria Lei Natural. Seus efeitos, portanto, são muito graves, na medida em que em geral assistir TV é um vício comum a toda a família.

Famílias inteiras não mais conversam, apenas ouvem o capeta falando em sua sala. As crianças constantemente expostas à TV não desenvolvem ou desenvolvem de maneira atrofiada o raciocínio lógico, o que é causado pela própria visão cubista da realidade que é inerente à TV.

Vejo isso claramente nos meus alunos de escola, que são em sua imensa maioria incapazes de formular uma frase longa e coerente. Eles falam aos arrancos: "Sabe, ele, o cara, ele foi, no mercado não, ele foi lá, é, na padaria que ele foi, que a mãe dele, sabe, a mãe dele que queria ir lá, e ele foi no lugar dela". Na verdade eles não expressam idéias, apenas concordam com o que lhes é apresentado. O que escrevem é mais ou menos a mesma coisa, só que com uma profusão de palavras cujo significado eles não conhecem bem; afinal, como eles não lêem, consideram que a característica essencial do texto escrito é a presença de palavras "esquisitas".

Quando eu tinha cinco anos de idade a minha mãe, que Deus a tenha em Sua santa glória, jogou fora a TV. Até hoje sou-lhe agradecido por isso. Minha avó me deu uma TV de presente quando eu cheguei à adolescência. Um dia eu me dei conta de que a TV estava ligada no Bozo havia mais de meia hora! No mesmo dia a troquei por uma garrafa de mergulho, e foi um dos melhores negócios que já fiz.

Depois disso já tive TVs sem antena, ligadas ao videocassete. Pelo menos assim posso exercer um controle maior sobre o que entra em minha casa. Hoje não tenho nem um nem outro. Afinal, estou morando em uma região onde a TV pega bem mesmo sem antena, e eu tenho crianças em casa. TV e criança na mesma casa não são uma combinação saudável (aliás, nem TV, nem cocaína, nem nenhuma outra droga perigosa).

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*Este texto foi escrito e gentilmente cedido por Carlos Ramalhete Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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terça-feira, 27 de novembro de 2012

A ilusão da misericórdia sem conversão

(Santo Afonso Maria de Ligório)

"Pode ser que haja, no meio de vós, meus irmãos, alguém que se encontre com a alma carregada de pecados e que -- longe de pensar em se livrar deles pela confissão e penitência -- não cessa de cometer novos pecados, se sobrecarregando ainda mais. Este, certamente, abusa da misericórdia divina; pois, a que fim nosso Deus tão bom deixa que este pecador viva senão para que ele se converta e, por conseqüência, escape da desgraça de perder sua alma?
"Ele merece as severas censuras que o Apóstolo dirigiu ao povo judeu impenitente: 'Porventura desprezas as riquezas da bondade, da paciência e da longanimidade de Deus? Ignoras que Sua bondade te convida à penitência? Mas que na tua dureza e coração impenitente, acumulas para ti um tesouro de ira no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus' (Rom II 4,5).

"Eu quero vos afastar, meus irmãos, desse funesto abuso, e vos preservar da desgraça de cair na morte eterna do inferno. A esse propósito, chamo vossa atenção para a seguinte verdade: Quando uma alma abusa da misericórdia divina, a misericórdia divina está bem próxima de a abandonar...

"Santo Agostinho observa que, para enganar os homens, o demônio emprega ora o desespero, ora a confiança.

Após o pecado, o demônio nos mostra o rigor da justiça de Deus para que desconfiemos de Sua misericórdia. Entretanto, antes do pecado, o demônio nos coloca diante dos olhos a grande misericórdia de Deus, a fim de que o receio dos castigos, devidos ao pecado, não nos impeça de satisfazer nossas paixões...

"Essa misericórdia sobre a qual vós contais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado!, diz São João Crisóstomo, de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste...

"'Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei'. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas ao inferno!...

"Nosso Senhor, aparecendo um dia a Santa Brígida, queixou-Se: 'Eu sou justo e misericordioso, mas os pecadores não querem ver senão minha misericórdia' (Ego sum justos et misericors; peccatores tantum misericordem me existimant - Rev. 1. I. c. 5). Não duvideis, diz São Basílio, que Deus é misericordioso, mas saibamos que Ele é também justo, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de Deus. Uma vez que Deus é justo, é impossível que os ingratos escapem do castigo.... Misericórdia! Misericórdia! Sim, mas para aquele que teme a Deus, e não para aquele que abusa da paciência divina!".

 (Sermons de S. Alphonse de Liguori, Analyses, commentaires, exposé du système de sa prédication, par le R.P. Basile Braeckman, de la Congrégation du T. S. Rédempteur, Tome Second. Jules de Meester-Imprimeur-Éditeur, Roulers, pp. 55-60, apud  Revista Catolicismo, número 572, agosto/1998, página 37).

sábado, 24 de novembro de 2012

Jesus, nosso único modelo


Segue abaixo é uma excelente meditação sobre o nosso seguimento à Cristo, muitas vezes nos enchemos de atividades, até pelo Reino, mas esquecemos de viver em uma íntima comunhão com Jesus. Mais do que servos precisamos ser amigos, amigos de Jesus.

Jesus, nosso único modelo.

Que contraditório é percebemos que levamos o nome de cristão e tão pouco conhecemos aquele do qual tal nome provém. Podemos até mesmo dizer que há um abismo entre esse nome que levamos e a vida daquele que por primeiro o portou: o Cristo. Cada vez mais nos contentamos com aquilo que é periférico - Pregações, filmes, canções, etc.E nos esquecemos de buscar a Ele. Quem sabe lemos muita coisa: dos livros de terapias espirituais aos grandes tratados teológicos e nos esquecemos de beber da fonte que é a Sua palavra. Pouco a pouco vamos nos satisfazendo com belas e empolgantes pregações, shows católicos, músicas, teatros, filmes e abandonamos o Cristo real dos Evangelhos.

Precisamos voltar para Jesus. Deixemos de beber nos canais e passemos a beber da própria fonte. Jesus quer ser, e precisa ser a Vida da minha vida.

Enganam-se aqueles que pensam que a vida cristã pode manter-se de causas externas, de atividades pastorais incansáveis agendas cheias, grandes eventos. Nada, absolutamente nada, podemos esperar de nossa vida cristã ou de nossos esforços missionários se não for a partir de Jesus.

Não podemos gerar nenhum tipo de vida sobrenatural no coração das pessoas, se nós mesmos só vivemos do natural, respaldando tudo o que fazemos nas nossas próprias forças, capacidades, potenciais, talentos, etc. Como Jesus poderá abençoar-nos se nos bastamos em tudo o que fazemos? Não tenhamos dúvida, suas graças passarão longe de nós e serão dadas àqueles que se apóiam n’Ele. “Deus resiste aos soberbos, mas concede sua graça aos humildes.” (Pv 3,34).

Uma outra contradição que podemos encontrar em nossa vida cristã é que, comumente dizemos que todo o esforço missionário que fazemos é para que Deus seja conhecido e amado e os homens sejam salvos. Entretanto, nos esquecemos de que o primeiro que precisa ser salvo sou eu mesmo. Já dizia Santo Agostinho: “Eu amo Jesus Cristo e por isso mesmo ardo em desejo de lhe dar almas: antes de tudo a minha, depois um número incalculável de outras.”

A única maneira de tornar nossa vida cristã frutuosa é bebendo, por primeiro, da fonte que tanto nós convidamos os outros a beberem: Jesus. Sem isso, vamos morrer na sequidão de um trabalho infrutífero que já não atrai mais ninguém, que já não muda mais a vida de ninguém, que já não mais impacta, questiona e arrasta.

A vida em Deus que nós propomos aos outros, vivamo-na primeiro. As graças que nós oferecemos aos outros através das nossas pregações, catequeses, ministérios, experimentemo-nas por primeiro. Ninguém pode dar aquilo que não tem.

Se soubéssemos a força que tem um testemunho, perderíamos menos tempo com o volume de atividades exteriores e empreenderíamos mais nosso tempo na nossa conversão. Um exemplo arrasta multidões. São Francisco foi um dos que não tardou e descobriu essa verdade. Dizia ele: “Desde que eu comecei a viver o Evangelho, muitos começaram a me seguir”.

Se é a vida de Cristo toda que somos chamados a viver, seria oportuno nos perguntarmos: Será que eu tenho reservado momentos de recolhimento a sós com Deus, como fazia Jesus ao se retirar para os montes, a fim de se encontrar com o Pai?

Olhemos bem para nossa vida e vejamos se não são as nossas “justas ocupações” as mesmas a nos afastarem de Deus. Conheço muita gente que se perdeu dizendo que estava trabalhando muito para Deus. Já não tinham mais tempo para rezar e por isso, diminuíam cada vez mais a freqüência e o Tempo dedicado à oração, quando não, a faziam de qualquer jeito (no improviso e às pressas) ou mesmo negligenciando-a. O acesso aos sacramentos, sobretudo, à confissão e à Eucaristia, se tornavam cada vez mais raros. Por outro lado, o aparente sucesso de suas obras parecia crescer era comumente aplaudido nas suas pregações, tornava-se cada vez mais conhecido, seu fazer, mais eficiente e creditado, seu nome já tinha se tornado uma logomarca.

Quando o diabo quer nos tirar de junto de Deus, aumenta a fama, o sucesso e o prestigio de nossas obras.

Passando a confiar mais em nossas capacidades, vamos afastando-nos e mais de Jesus. A única maneira que Deus encontra para nos ter de volta é fazendo-nos experimentar o fracasso, a derrota, o abandono, a perseguição e a impossibilidade. Só assim, Ele pode se assenhorear de nossos trabalhos. Sabemos, por experiência própria que, quando as coisas que programamos não dão certas, tornam-se ocasiões favoráveis para voltarmos a confiar unicamente no Senhor.

Busquemos a Jesus. A ele recorramos pressuroso. Só n’Ele encontramos todas as graças e bênçãos espirituais (Ef 1,3). A graça da fortaleza que vem em auxilio de nossa fraqueza: as graças da conversão mediante o reconhecimento de nossos limites, a graça da permanência diante das nossas constantes oscilações,a graça do avivamento em tempo de cansaço, a graça da resistência em meio aos combates e a maior de todas as graças a nossa salvação. “No Seu Filho, pelo Seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas de Sua graça que derramou profusamente sobre nós.” ( Ef 1,7)

Jesus não é somente causa meritória das graças alcançadas junto ao Pai. Ele é também causa exemplar. Nele nós encontramos o máximo modelo a seguir e imitar. Jesus é o Modelo dos Modelos. Seguir os seus passos é ter a certeza por antecipação de que o céu já nos é dado.

Uma das poucas vezes que Deus Pai se pronuncia nos evangelhos ( no batismo e na transfiguração) é para dizer que nós devemos escutar unicamente a Seu Filho ( Mt 17,5). Ter Jesus como modelo perfeito a imitar é ouvir atentamente Sua palavra. Ele é a própria palavra Encarnada do Pai ( Jo 1,14).

Um dos desejos mais profundos do coração humano é o poder desvelar seu futuro, conhecer o seu amanhã. Razão essa, nos diz o Papa Bento XVI no seu livro Jesus de Nazaré, pela qual o homem busca as religiões. “Sabendo-se o que há de vir, o homem pode trilhar um caminho seguro sem fracassar”. Entretanto, nos diz o Papa, que há um outro caminho: a fé em Deus, na forma de uma promessa dada ao seu povo por meio de um dos seus escolhidos.

A estes são dados mais que capacidade de prever o futuro. É dada a possibilidade de se comunicarem diretamente com Deus. “ Papel do profeta não é o de antecipar os acontecimentos vindouros, e assim servir a curiosidade humana ou a humana necessidade de segurança, mas mostrar o rosto de Deus e assim nos mostrar o caminho que devemos seguir”. ( Papa Bento XVI)

Em Jesus, palavra encarnada do Pai, temos o Caminho perfeito a seguir. Jesus nos revela o rosto do Pai. É Ele a palavra definitiva do Pai. Tudo o que o Pai quis nos dizer, de uma vez por todas, disse em Jesus.

Se quisermos imitar Jesus, temos que escutá-lo, pois só a Sua palavra nos dá a Vida eterna ( Jo 6,68).

Nosso problema é que muitas vezes escutamos muitos tipos de discursos, nos empolgamos diante de tantas palavras bonitas, atraentes que chegam a nós através de propagandas enganosas de que a felicidade está aqui ou ali. Porém, só a palavra de Jesus não engana porque é palavra do Pai. “ A tua palavra é Verdade” ( Jo 17,7).

Por ser Jesus a palavra proclamada e encarnada, é que podemos não só escutar o que Ele diz, como também imitarmos suas atitudes: Sua total confiança no Pai, Seu amor incansável aos pobres, Sua misericórdia sempre pronta a perdoar e dar ao outro a chance de recomeçar, Sua pressa em anunciar o Evangelho para que todos conheçam o amor do Pai, Sua compaixão para com os que sofrem, Sua solicitude para com os aflitos, Sua autenticidade diante das atitudes hipócritas, Sua liberdade diante da lei que oprime a vida, Sua coragem em denunciar o que não é vontade de Deus, Sua humildade, Sua mansidão, Sua vida entregue sem reservas…

Uma vez mais e sempre, insisto. Configuremo-nos a Cristo. Sem Ele nada podemos fazer ( Jo 15,5). É necessário que a vida de Jesus em nós chegue primeiro que as nossas palavras. Não nos enganemos, as pessoas acreditam mais na vida do que nas palavras. A palavra que sai de nossos lábios só terá credibilidade se apoiada na nossa vida. Assim como os raios antecipam os trovões, assim também, nossa vida enxertada em Jesus, deve antecipar nossas palavras o barulho de nossas vozes e pregações.

A vida de Jesus em nós arrasta sem precisarmos fazer nada de extraordinário. Como João Batista que arrastava multidões para ouvi-lo às margens do Jordão sem precisar fazer sequer um milagre. O segredo de João residia no fato de que ele mesmo. A sua própria vida condizia com aquilo que ele anunciava ao povo: uma conversão frutuosa ( Lc 3,8 ).

Permaneçamos em Jesus para darmos abundantes frutos ( Jo 15,5). Sem Jesus o fruto de nossas obras e pregações é estéril, nossa correria é vã, nosso cansaço desnecessário. Só em Jesus o fruto de nosso trabalho permanece.

(texto extraído do Livro: Santidade, Caminho Real e Possível. Padre Gilson Sobreiro, Ed. Palavra & Prece. 2008)
http://ocaminho.org.br/portal/index.php/2009/10/jesus-nosso-unico-modelo/