Nosso coração transborda de alegria ao falar de Nossa Senhora, nada do
que possamos conceber é suficiente para explicar a grandeza do mistério da
Imaculada Conceição, os argumentos não são suficientes, convido os descrentes a
se aproximarem desta Mãe, que não nos afasta de Jesus, pelo contrário, ela nos
faz ser mais íntimos do seu filho. Totus Tuus! Toda bela sois, Virgem Maria,
sem mancha original!
Segue abaixo texto de Dom Henrique Soares
Alegra-te, ó Toda Cumulada Pela Graça
O tempo do Advento tem, sem
dúvida alguma, um sabor mariano. É com a Virgem que melhor aprendemos como
esperar o Sol que nasce da Aurora, o Cristo, nosso Deus! Por isso, é muito
conveniente celebrar a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, a Virgem.
O que a Igreja crê e celebra
neste mistério? A Escritura Santa nos ensina que a humanidade fora criada por
Deus para a comunhão com Ele, para ser feliz convivendo com Ele, construindo a
vida e o mundo. Mas, infelizmente, desde o início da história humana e até
hoje, nossa raça foi dizendo “não” ao sonho de Deus. Quisemos e queremos ainda
ser como deuses, conhecedores do bem e do mal (cf. Gn 3,4s); queremos viver a
vida de modo autônomo, como se a existência fosse nossa e não um dom recebido
do Senhor. Se não dizemos, pensamos muitas vezes: "A vida é minha; faço
dela o que eu quero! O resultado dessa atitude tem sido trágico: tornamo-nos
uma humanidade ferida, esfacelada num mundo também ferido e esfacelado.
Somos todos presa de um enorme
fechamento para Deus, uma desconfiança n'Ele, uma tendência a não percebê-Lo.
Por isso somos profundamente desequilibrados no nosso modo de nos ver, de ver a
vida, de nos relacionar com os outros e com o mundo. Somos um poço de
contradições, de paixões, de anseios desencontrados e sentimentos, muitas
vezes, destrutivos. Somos, pois, profundamente feridos de morte, feridos até a
morte! É esta situação miserável que a Igreja denomina “pecado original”,
pecado que já nos marca desde o primeiro momento de nossa existência: “Minha
mãe já concebeu-me pecador” (Sl 50,7). É desta situação miserável, sem saída,
que Cristo nos arranca com a Sua encarnação, Sua vida, Sua morte e ressurreição
com o dom do Seu Espírito: “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus, e
são justificados gratuitamente em virtude da redenção realizada por Jesus
Cristo” (Rm 3,23s).
Pois bem, a Igreja crê,
firmemente, que a toda Santa Virgem Maria, desde o primeiro momento em que foi
concebida no seio de sua mãe, foi preservada por Deus desta solidariedade com
esta situação de pecado. Nós já nascemos marcados de morte; ela, desta marca de
pecado foi preservada; nós, precisamos ser arrancados da lama do pecado graças
à cruz do Cristo; ela, pela cruz do Cristo foi liberta desde a origem e,
sequer, foi tocada por esta lama maldita; nós fomos redimidos, porque lavados
desta lama; ela foi ainda mais perfeitamente redimida. porque, pelos méritos da
Paixão do Senhor, sequer experimentou esta situação de pecaminosidade.
Desde o ventre materno, desde o
primeiro instante de sua concepção, o Senhor a libertou graças aos méritos de
Cristo. Ela, a Virgem, pode ser chamada Toda Santa, isto é, Toda Santificada.
Ela pode cantar as palavras da profecia de Isaías: “Com grande alegria
rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me vestiu de
justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias!”
A Igreja crê nesta Concepção
Imaculada da Mãe de Jesus e com ela se alegra. E crê fundamentada na Escritura
Sagrada. A Palavra de Deus não afirma que o Senhor colocou uma inimizade de
morte entre a serpente e a Mulher, entre a descendência da serpente e da
Mulher? Quem é esta Mulher? Não é aquela a quem Jesus chama Mulher em Caná e ao
pé da cruz? Não é aquela de quem São Paulo diz: “Quando chegou a plenitude dos
tempos, enviou Deus o Seu Filho nascido de Mulher? Como, pois, poderia estar
sob o domínio do pecado, fruto da serpente, a Mulher de quem nasceria o
Cordeiro sem mancha, que tira o pecado do mundo?
Estejamos atentos ainda no modo
como Gabriel saudou a Virgem no Evangelho: ele lhe muda o nome! Não diz
"Alegra-te, Maria!”, mas “Alegra-te, Cheia de Graça!”. Cheia de graça,
kecharitomene, do verbo charitô, agraciar. "Alegra-te, ó Toda Cumulada
Pela Graça!", "Alegra-te, ó Mar de Graça, ó possuída totalmente pela
graça! Em ti, Virgem Maria, não há o mínimo lugar, a mínima brecha para a
“des-graça” do pecado!" – É isto que significam as palavras de Gabriel.
Podem crer: Deus juntou toda água um dia e chamou de mar; Deus juntou toda
graça, outro dia, e a chamou de Maria!
A Virgem não é dona da graça; ela
a recebeu totalmente. A Virgem não é imaculada por seus próprios méritos, mas
pelos méritos daquele que, nascido de suas entranhas benditas, venceu a antiga
serpente e destruiu o antigo inimigo. Observemos que esta ideia aparece na
segunda leitura da Missa desta solenidade. O que diz o apóstolo? O Pai “nos
escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e
irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. Ele nos predestinou por intermédio de
Jesus Cristo (Ef 1,4s).
Se todos somos fruto de um sonho
eterno de Deus, se todos somos predestinados em Cristo, desde antes da fundação
do mundo; se o Senhor conheceu nossos dias antes mesmo que um só deles
existisse, pois bem: em Cristo, Deus, o Pai, preservou a Mãe do Seu Filho do
pecado, graças ao Seu Filho! Que nossos irmãos protestantes se alegrem conosco
pela Imaculada Conceição de Maria: ela é bíblica, ela exalta enormemente a
grandeza abundante da graça de Cristo, único Salvador! São Paulo diz que “todos
pecaram e estão privados da glória de Deus”; assim estaria a Virgem sem a graça
de Cristo; mas disso foi libertada no primeiro momento de sua existência,
graças a Cristo!
Esta é a beleza desta festa: o
triunfo da graça, celebrar a graça de Cristo que age antes mesmo do nascimento
histórico de Cristo! Que graça tão grande, que Salvador tão potente, que Deus
tão previdente! E para nós, que alegria contemplar o mistério, vislumbrá-lo,
mergulhar nele! Hoje, a Virgem foi concebida livre do pecado; hoje, começou a
raiar a aurora do dia sem fim; surgiu a puríssima Estrela d’Alva que anuncia o
Sol, que é o Cristo, nosso Deus!
A Igreja, exultante de alegria,
tem palavras lindas na celebração litúrgica no dia da Imaculada. No Ofício
Divino, ela assim se dirige à Virgem Toda Santa: “Com a vossa Imaculada
Conceição, Virgem Maria, um anúncio de alegria percorreu o mundo inteiro” e,
mais adiante, no Ofício, continua, admirada: “Toda bela sois, Virgem Maria, sem
mancha original! Sois a glória de Sião, a alegria de Israel e a flor da
humanidade”. E, imaginando a resposta da Virgem, coloca nos seus lábios estas
palavras que ela dirige ao Senhor: “Foi nisto que eu vi, porque vós me escolhestes!
Porque não triunfou sobre mim o inimigo, porque vós me escolhestes!” Isso
mesmo: mais que ninguém, a Virgem é devedora a Cristo: Ele a escolheu, a
preservou, sustentou-a e teve por ela uma predileção inigualável!
Alegremo-nos nós também! Em
Cristo o pecado pode ser vencido! A Conceição Imaculada de Maria é sinal
belíssimo desta vitória! Alegremo-nos, porque a Imaculada Conceição de Nossa
Senhora é o feliz princípio e o primeiro albor da salvação que o Senhor Jesus
nos traz! Bendita seja a cruz de Jesus, que antes de ser fincada no Calvário,
já libertou com seus raios a Virgem de todo pecado! A Jesus, fruto bendito, do
bendito ventre da bendita Virgem Maria, a glória pelos séculos dos séculos.
Amém.
Dom Henrique Soares da Costa
http://www.domhenrique.com.br
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